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Fernando de Noronha pode virar santuário de tubarões

Intenção é combater comercialização da carne do peixe em bares e restaurantes da região

A proposta pioneira de criar um santuário de tubarões no arquipélago de Fernando de Noronha, animais essenciais ao equilíbrio ecológico marinho, será discutida nesta sexta-feira (3) junto ao Governo de Pernambuco, autoridades da ilha e representantes do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).

A ideia é da Divers for Sharks, instituição internacional que há cerca de dez anos é voltada para a conservação de tubarões. A intenção é combater a comercialização da carne do animal em restaurantes e bares da região. Na ocasião, será discutida também o lançamento de uma campanha educativa com moradores e turistas sobre a importância desses animais para a cadeia marinha.

A reunião está marcada para as 16h, na sede da Secretaria de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semas), no bairro dos Aflitos. Antes, pela manhã, ativistas da causa animal vão ao Aeroporto Internacional do Recife-Guararapes distribuir panfletos para conscientizar passageiros que forem embarcar para Noronha.

De acordo com o fundador e coordenador da Divers for Sharks, Paulo Cavalcanti, o fato de o comércio da ilha vender receitas à base de tubarão, como bolinhos, croquetes e hambúrgueres é preocupante, já que a reprodução desses animais é muito lenta e a pesca desenfreada pode levá-los à lista de espécies ameaçadas em extinção. “O problema é que os próprios pescadores da ilha dizem que pescam fora do limite do arquipélago como uma forma de dizer que não pescam dentro de lá. Mas os tubarões migram, eles não são regionais. Ou seja, o impacto é o mesmo”, explica.

Entre as espécies protegidas por lei estão os tubarões martelo, baleia, tigre e mangona. Todos esses utilizam o arquipélago como rota migratória. Porém Cavalcanti chama a atenção para a dúvida que fica sobre qual tubarão é consumido, tendo em vista essa restrição. “Eles geralmente vêm cortados em postas, então, fica impossível identificar a espécie que foi pescada. Mas, independentemente de alguns poderem ser comercializados, era para ser proibido o seu consumo já que sua reprodução é morosa”, reforça Cavalcanti.

Dados da Organização das Nações Unidas (ONU) revelam que cerca de 100 milhões de tubarões são consumidos por ano. No ranking, Brasil entra como o sétimo país que mais utiliza o animal como alimento. Um dos pratos mais consumidos nos restaurantes é o “tubalhau”, um bolinho semelhante ao de bacalhau, mas o recheio é com carne de tubarão.

O secretário de Meio Ambiente e Sustentabilidade, Sérgio Xavier, adiantou que a iniciativa é interessante, mas ressaltou que a reunião servirá para a gestão estadual articular com outros órgãos responsáveis por administrar o arquipélago a viabilidade de se implantar um santuário de tubarões na Ilha.

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